quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
Como é realizado o atendimento psicológico?
Há alguns séculos, havia o “confessor”, geralmente um religioso, um padre, um rabino, que era procurado quando as pessoas passavam por dificuldades, as pessoas sabiam que podiam se abrir com eles, dividiam suas angustias, suas preocupações e em troca ouviam um conselho e voltavam para casa mais aliviadas, mais encorajadas.
A promessa de sigilo e o respeito que a pessoa recebia quando conversava com esse confessor facilitava muito para que ela se sentisse à vontade, ou seja, a pessoa se sentia aceita, mas a ajuda acabava aí - um ombro para te ouvir e uma palavra de conforto.
Apenas no século 20 apareceu a figura do psicólogo e o processo do atendimento psicológico. O psicólogo é o profissional que não só tem a vocação para lidar com as pessoas e seus problemas, como tem treinamento e técnicas para que a terapia não seja só um momento de desabafo para “lavar a alma”.
Terapia não é só o lugar para você descarregar suas angústias, mas é, principalmente o lugar para você aprender a lidar com esta angustias de forma que você consiga eliminá-las ou torna-las suportáveis. Você recebe o feedback do psicólogo e vai aprender estratégias que te ajudam a funcionar melhor.
O paciente procura um atendimento psicológico quando está com problemas e não está conseguindo lidar com eles de forma adequada. O propósito da terapia é mudar a mente e o comportamento deste paciente, para que a vida dele seja menos problemática e mais satisfatória.
Você deve procurar no atendimento psicológico um profissional que tenha sido preparado para uma gama bem ampla de problemas, doenças, transtornos e dificuldades. Assim ele terá bagagem suficiente, tanto para fazer o diagnóstico correto quanto para aplicar os procedimentos e técnicas corretas.
O que os psicólogos esperam de seus pacientes?
Para um atendimento psicológico adequado é preciso que os pacientes sejam sinceros com eles mesmos e com o psicólogo . Se você espera superar suas dificuldades e quer aprender a lidar com elas, você deve confiar no psicólogo e não esconder elementos importantes. Saiba que atendimento psicológico é, em primeiro lugar, acolhimento.
Podemos ver a psicoterapia como um exercício de mudança mental com conseqüências no comportamento. Uma tarefa da psicoterapia é abrir os conteúdos da mente. Tornar conscientes aquelas representações mentais que estavam escondidas. O processo do atendimento psicológico se baseia em identificar suas idéias mais importantes, o que você pensa, o que você acredita, como você sente as coisas que se passam com você e ver quais são prejudiciais e precisam ser abandonadas.
O atendimento psicologico é um processo bastante profundo e inclui momentos em que a pessoa deverá enfrentar eventos do passado que deixaram marcas poderosas na personalidade. Neste ponto a experiência do terapeuta / psicólogo é muito importante. O quanto ele já atendeu de casos semelhantes vai pesar muito.
Durante o atendimento psicológico é necessário que o psicologo compreenda a situação do seu paciente e também saiba compartilhar esse entendimento, porque não adiante ele entender tudo e guardar só para ele. E aí é que a habilidade profissional entra, porque não é uma conversa que você teria com seu amigo ou com outra pessoa. É uma conversa técnica e para isso o terapeuta tem que conhecer muito bem seu paciente. Isso envolve empatia, que é muito diferente de simpatia. Empatia é a capacidade de compreender a outra pessoa em toda sua plenitude.
O mais importante na psicoterapia é a análise das coisas que aconteceram na vida do paciente ou o que ele imaginou terem acontecido, e, principalmente, o significado que essas coisas tiveram para ele. Muitas vezes, estes significados são distorcidos, as percepções são imperfeitas e aí não resta dúvida: os sentimentos serão inadequados e os comportamentos não serão produtivos.
As interpretações do psicólogo têm o objetivo de desfazer hábitos que muitas vezes são muito destrutivos. O terapeuta não trabalha com persuasão direta, ele não tenta colocar idéias na sua cabeça. O que ele faz é criar condições que permitem mudanças.
No atendimento psicológico analisamos o presente e também a infância, para que possamos compreender a origem dos sentimentos e comportamentos de agora. A gente não cai na armadilha de colocar a pessoa como vítima da infância, porque isso vai te fazer ser prisioneiro do passado, e quando você é prisioneiro do passado não tem como assumir a responsabilidade pela sua vida, ela não te pertence, pertence aquele passado ruim. E quem pode mudar o passado? Ninguém. Por isso é uma armadilha você não considerar o que se pode fazer agora.
Todo atendimento psicológico, para ser bem sucedido, tem de ter duas coisas: Tem que ser orientada para o futuro, ou seja, tem que trabalhar o que fazer para que amanhã você esteja melhor do que hoje, e tem que conscientizar a pessoa de que ela é responsável pelo tipo de vida que ela tem, ele deve perceber que ela tem condições de mudar as coisas, porque se ela se vir como refém dos outros, das situações, ela está amarrada e nunca vai mudar. O atendimento psicológico tem que focar no que está errado AGORA na sua vida e em como corrigir isso.
Porque as pessoas resistem ao atendimento psicológico?
Muitas vezes, as pessoas resistem em fazer psicoterapia porque se acostumam com a dor. Acham que a vida é assim mesmo. De tanto viver aquela dificuldade, acham que não têm esperança, que nada pode mudar. Mas isso não torna essa dor aceitável e nem é necessário que seja assim. E importante que você saiba que há formas bem legais de transformar sua vida. A terapia não é um remédio milagroso e imediato, mas vale à pena, porque é permanente e o ganho é seu, ninguém tira.
A sessão de psicoterapia pede reelaboração posterior, ou seja, ela demanda que os insights não morram na hora em que o paciente sai da consulta. É por isso que na minha abordagem terapêutica existe a “lição de casa”, que é uma forma de você levar a psicoterapia para sua vida, de consolidar o ganho que teve na sessão. Porque se você vem “praticando” a depressão (ou qualquer outro desconforto emocional) em algum momento precisaremos colocar em prática uma nova forma de funcionar para que ela se fixe. Não é só se conhecer melhor, é usar esse conhecimento.
Você comparece ao atendimento psicológico para trabalhar sua mudança mental. Mudando sua mente você muda as coisas que você faz, as coisas que você conquista, as coisas que você decide.
Os 4 “R”s na psicoterapia:
Razão, na forma de análise,
Recursos, na forma de tempo e energia tanto da parte do terapeuta como do paciente, pois os dois precisam dedicar tempo e esforço,
Redescrição representacional, que é a nova forma de ver o mundo conquistada na terapia e
Ressonância, que é quando a interpretação do terapeuta faz sentido para o paciente, quando o que o terapeuta disse bateu com aquele sentimento mais profundo do paciente.As pessoas conseguem mesmo mudar fazendo terapia? Ou a função da psicoterapia é só o autoconhecimento? É também autoconhecimento, mas é principalmente transformação. A terapia cognitiva proporciona uma mudança realmente visível nas atitudes do atendido. Você vê a pessoa tendo atitudes melhores, mais equilibradas.
Em que casos a psicoterapia pode atuar? Para quais problemas a gente pode recorrer a psicoterapia? A psicoterapia atua em todos os casos onde você percebe sentimentos que você não quer ter. Por exemplo, você sente angústia, tristeza ou ansiedade, você fica muito preocupado, tem excesso de raiva, sensação de fracasso, sensação de impotência, desânimo ou é agitado demais, sua cabeça não tem descanso.
A psicoterapia também te ajuda nos casos onde você tem alguma dificuldade quanto a comportamento, ou seja, você não consegue tomar decisões, não consegue adotar certas atitudes necessárias ou tem a tendência a tomar atitudes destrambelhadas, que dão resultados muitos ruins.
Os motivos para alguém se beneficiar de uma psicoterapia são muitos, ou a pessoa se sente deprimida, triste, com aquele peso no peito, um peso que muitas vezes ela nem sabe da onde vem, ela simplesmente acorda de manhã já sentindo aquilo.
É comum a pessoa não conseguir identificar o que acontece, ela só sente aquele mal-estar e não sabe de onde vem. Outras vezes, a pessoa consegue identificar o que é que está fazendo mal a ela. Às vezes é o trabalho que está muito estressante ou até o oposto: um trabalho que não exige nada, que não motiva, também pode deixar uma sensação de incapacidade bem ruim nas pessoas, porque deixa a vida sem estímulo, sem graça.
Outros motivos que levam uma pessoa à psicoterapia são as relações complicadas em casa, com o marido, a mulher, os filhos, pais, chefe, sócio. Às vezes o marido não corresponde mais às expectativas da esposa e ela pensa: “O que é que eu estou fazendo aqui”?
Muitas vezes, as pessoas procuram um psicólogo porque têm dificuldade em ter um relacionamento, em conhecer pessoas. Há muita gente sozinha por aí, sofrendo de solidão, sem ninguém prá dividir, para compartilhar.
Você não precisa disso, você pode mudar isso tudo. Terapia não é só autoconhecimento. É um aprendizado, uma lapidação em você mesmo, por meio da qual você aprende novas posturas, aprende como se sentir bem consigo mesmo.
Fonte: www.marisapsicologa.com.br
Ajuda Emocional
Do que consiste a ajuda emocional?
Ajuda emocional a todo apoio moral e psicológico que uma pessoa pode receber. Esta ajuda pode vir tanto de um profissional como de pessoas leigas. Todo amigo que te escuta nos momentos de fragilidade está lhe oferecendo ajuda emocional que, muitas vezes pode ser suficiente, mas outras vezes não. O amigo tem boa vontade, tem bom coração, às vezes tem tempo para estar ao seu lado, o que é bom, mas não tem técnicas para elaborar estratégias de superação quando você passa por quadros clínicos específicos como depressão, síndrome do pânico, etc.
Como identificar a necessidade em receber ajuda emocional?
Necessita ajuda emocional toda pessoa que se encontra em sofrimento impossível de superar sozinha e que esteja causando prejuízos em qualquer esfera, seja ela pessoal, emocional, psicológico, profissional, financeira, nos relacionamentos ou material.
Toda pessoa precisa de ajuda emocional?
Eu diria que toda pessoa MERECE apoio e, não há pessoa no mundo que possa dizer que nunca na vida precisou de orientação ou ajuda para superar ou modificar comportamentos e sentimentos.
Qual o papel do psicólogo na ajuda emocional?
O psicólogo usa todo seu repertório de conhecimento, todas as informações obtidas tanto em sua formação como em sua prática clinica para reestruturar a pessoa que está em sofrimento. Ele te ajuda a superar situações difíceis, aprender novas habilidades interpessoais, se conhecer e reconhecer quais são seus verdadeiros valores e motivações. As mudanças nos padrões de pensamento são extremamente difíceis de serem obtidas, pois cada um de nós se apega a seus velhos padrões pessimistas de pensamento.
A ajuda emocional não fica apenas na esfera do apoio, entra também na mudança ou aquisição de novos comportamentos. Por exemplo, vamos dizer que você está sendo prejudicado em sua carreira por não falar nas reuniões de trabalho. Além do apoio e compreensão você precisa de aprender como falar em publico de forma tranquila e segura, e para isso as técnicas de um psicólogo farão toda a diferença.
Amigos e parentes podem oferecer o suporte emocional necessário?
Podem e devem. Muitas vezes o trabalho do psicólogo é justamente esse: Inserir a pessoa no universo saudável das relações interpessoais, no mundo dos amigos, amantes, namorados, colegas e parceiros profissionais. O ser humano foi feito para estar entre pessoas, para viver em grupo. E em grupo satisfazer suas necessidades emocionais de conexão, proteção, apoio e suporte. O papel do psicólogo sempre será o de fornecer formas de que seu paciente saia de seu consultório apto a iniciar e manter relacionamentos prazerosos e saudáveis. É justamente por esse motivo que o psicólogo não manterá uma relação de amizade com seu paciente, pois esta é a única forma de propiciar ao paciente habilidades para desenvolver relacionamentos em todos os ambientes seja familiar, profissional, amigos, etc. O psicólogo não será o substituto de relacionamentos saudáveis, ele será o facilitador destes relacionamentos.
Em relação à quais tipos de problema um psicólogo pode ajudar?
Em todas as situações onde se percebe fragilidade emocional ou comportamental como: fim de relacionamento, inicio de novas atividades profissionais, dificuldade em se colocar afirmativamente diante de colegas de trabalho, dificuldade em tomar decisões, traumas, falta de motivação ou energia, medo de falar em publico, de dirigir, inseguranças, dificuldade em ter a calma necessária para responder a uma prova de vestibular ou concurso, etc.
Como funcionam os sites de ajuda emocional?
Na orientação o psicólogo fornece informações que podem ser aplicadas conforme a necessidade da pessoa que solicita a ajuda emocional, mas não há interação verdadeira, pois sem o contato frente a frente faltam informações de postura, respiração, expressões faciais. Por mais que a tecnologia ofereça uma “proximidade” através de vídeos conferências, as pessoas ainda estão “protegidas” pela máquina, pela tela e pela distância real. Por isso o atendimento on-line é chamado de "orientação" e não de "terapia".
Fonte:www.marisapsicologa.com.br
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
PARABÉNS!!!
27 DE AGOSTO - DIA DO PSICÓLOGO
Hoje é um dia muito importante para todos nós, em que a nossa querida PSICOLOGIA completa 50 anos como profissão regulamentada no Brasil.
Uma data para celebrar nossas conquistas enquanto ciência e profissão, mas este é também um momento para reflexão, pois muitos continuam a ser os desafios e há bastante ainda por fazer.
Estamos aqui, juntos, para contribuir nas lutas da Psicologia enquanto categoria profissional, para questionarmos a qualidade de nossa formação universitária e a necessidade contínua de qualificação, para lutarmos por melhores condições de trabalho e oportunidades de empregos, para discutirmos nossas práticas profissionais e contribuições sociais.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Depressão - Fatores relacionais entre a depressão e o viver sozinho
De acordo com recente pesquisa publicada na revista BMC Public Health o risco de desenvolvimento de depressão (com base no consumo de antidepressivos) é até 80% maior para indivíduos que vivem sozinhos, quando comparados com pessoas que convivem em algum tipo de grupo familiar ou social.
Ás mulheres 1/3 de tal risco fora atribuído a fatores sócio-demográficos, como a baixa renda ou ainda a falta de graduação acadêmica, enquanto que aos homens os fatores contributivos incluem a baixa qualidade laboral, a falta de suporte no trabalho ou em suas vidas, além do alcoolismo.
Pesquisadores finlandeses estudaram 3500 homens e mulheres durante sete anos e compararam suas condições de vida relacionadas a fatores sociodemográficos, psicossociais e de risco a saúde (como o fumo, o alcoolismo e o sedentarismo) ao uso de antidepressivos. Segundo a doutora Laura Pulkki-Råback, que conduziu a pesquisa, tal estudo demonstra que há risco do desenvolvimento de depressão por parte dos indivíduos que vivem sozinhos, sendo que não há diferença entre os gêneros estudados; Os maiores fatores relacionados são as baixas condições de moradia (por parte das mulheres) e a ausência de suporte social (em relação aos homens).
Enquanto este estudo claramente identifica os fatores que aumentam o risco de depressão para os indivíduos que moram sozinhos, o aumento deste risco é ainda inexplicado. Os pesquisadores sugerem que tal fato pode estar associado às sensações de alienação da sociedade, a falta de confiança ou ainda dificuldades diversas que surgem de acordo com a própria vida; Todos esses fatores devem ser levados em consideração para começar a se entender e reduzir a incidência de depressão.
Fonte: AlphaGalileo Foundation
terça-feira, 24 de abril de 2012
Psicologia/Profissão
Comissão de Seguridade Social aprova presença de Psicólogos e Assistentes Sociais nas escolas públicas
21/04/2012
Foi aprovado nesta última quarta-feira (18) proposta que garante o atendimento por psicólogos e assistentes sociais a estudantes de escolas públicas de educação básica; O texto que fora aprovado é o substitutivo (tipo de emenda que altera uma proposta) desenvolvido pelo Senado ao Projeto de Lei 3688/00, de autoria do ex-deputado José Carlos Elias.
Tal versão do Senado retirou da proposta anteriormente aprovada pela Câmara dos Deputados a determinação de que o atendimento psicológico e assistencial deveria ser necessariamente prestado por psicólogos do Sistema Único de Saúde (SUS) e assistentes sociais de serviços públicos de assistência social; Segundo o texto aprovado, as redes públicas terão equipes multidisciplinares próprias e alguns aspectos específicos relacionados a necessidades de alunos poderão ser tratadas em parceria com o SUS.
O deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB/SP), relator da proposta e parlamentar que recomendou a aprovação da proposta, considera que equipes multiprofissionais serão capazes de atuar tecnicamente na mediação nas relações sociais e institucionais.
O projeto prevê um ano (a partir da publicação da lei) para que os sistemas de ensino se adaptem à nova regra.
O substitutivo do Senado será analisado pelas comissões de Educação e Cultura e de Constituição e Justiça e de Cidadania antes de ser incluído na pauta do Plenário.
A íntegra da proposta pode ser visualizada neste link.
Fonte: Câmara dos Deputados
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
Cresce o contágio da AIDS entre jovens gays e idosos
iG
Homens deixam CAMISINHA de lado e crescem nas estatísticas do HIV
Na sala escura da boate gay e nos encontros marcados após o baile da terceira idade, os homens brasileiros de todas as idades e orientações sexuais têm deixado a CAMISINHA de lado e, por isso, crescido nas estatísticas da AIDS.
O novo boletim do Ministério da Saúde, que mapeia os casos de contaminação pelo vírus HIV, revela a vulnerabilidade generalizada, impulsionada pelo uso de drogas – seja o ecstasy ou o Viagra.
A proporção de registros entre homossexuais de 13 a 24 anos bateu recorde. Este grupo, em 2010, somou 35,1% do total de infecções masculinas na faixa etária, a maior taxa desde o início da epidemia, em 1980. Simultaneamente, entre os mais maduros, os heterossexuais são maioria dos infectados e acima dos 30 anos representam 43%.
“Não há orientação sexual de risco e sim comportamento perigoso para a AIDS, muito influenciado pelo abuso de álcool. E os homens, de forma geral, têm negligenciado bastante o PRESERVATIVO. É um panorama alarmante”, afirma um dos principais infectologistas do País, Artur Timerman, que atua nas redes públicas e privadas de saúde. No último ano, entre seus pacientes, há um casal de 14 e 15 anos, ambos soropositivos e uma senhora de 82 que adquiriu o vírus do marido, de 78 anos.
Indiferenças
No início do mês, J.F, 31 anos, morreu e o atestado de óbito teve origem na infecção do vírus HIV, descoberta tarde demais para que os coquetéis de remédios fizessem efeitos e revertessem o quadro.
HOMOSSEXUAL - assumido para os amigos e escondido da família - ele sempre teve medo de fazer o teste para confirmar se as transas desprotegidas tinham mesmo resultado na infecção. Emagreceu, mas só quando as diarreias ficaram constantes procurou o médico.
Jovem bem sucedido na profissão de comunicação, solteiro, nunca foi promíscuo, mas também nunca exigiu proteção em suas relações sexuais eventuais, acertadas em maioria nos encontros no centro paulistano - uma das regiões com alta concentração de casas noturnas para o público gay.
Em uma destas boates, inclusive, que conta com o chamado “dark room” (sala escura em que tudo pode acontecer mas onde só entra quem quer) a falta de temor com as doenças sexualmente transmissíveis (DST) fica exposta no chão. “Eles (a casa) até distribuem CAMISINHA para quem vai entrar. Mas os PRESERVATIVOS ficam fechados e lacrados, jogados no fim da noitada e recolhidos pelo pessoal da faxina”, conta um dos frequentadores.
A indiferença com a possibilidade de contrair AIDS ou qualquer outra DST também marca os encontros dos “cinquentões” heterossexuais. “Minha geração não aprendeu a usar CAMISINHA. Eu, até descobrir ser SOROPOSITIVO, nunca tinha usado uma vez sequer e tinha uma média de 18 parceiras por ano”, conta S.C., 59 anos, que trabalha com comércio exterior, mora na zona oeste paulistana e é um autodefinido “apaixonado pelas mulheres”.
Agora, ele não só aprendeu a usar medicamentos para a disfunção erétil, como após a ereção garantida, cobri-la com PRESERVATIVO. “Podia ter aprendido antes. Mas tenho amigos que mesmo acompanhando de perto o meu caso continuam deixando a CAMISINHA como um enfeite na carteira.”
Pré ou pós 80’s
Os maiores de 50 e os menores de 30 fazem parte de gerações que ou eram pequenos demais para lembrar os tempos mais árduos da AIDS ou já estavam maduros o suficiente para sentirem os impactos diretos que a epidemia provocou nos filhos dos anos 70.
Mas nesta primeira década dos anos 2000, os mais velhos e os mais novos foram colocados no alvo do HIV e, ao mesmo tempo, convivem com a falsa ideia de que para “tratar a doença só é preciso tomar um remedinho”, afirma o infectologista Jean Gorinchteyn do Instituto Emílio Ribas, uma das referências nacionais do tratamento da AIDS.
“O PRESERVATIVO continua encarado como uma necessidade só para evitar gravidez, portanto desnecessário para quem tem relações homossexuais ou está fora da faixa da fertilidade”, completa Gorinchteyn, que coordena um ambulatório só para soropositivos maiores de 50 anos, onde 60% são homens e oito em cada dez casados com mulheres.
“Um erro perigoso, porque nem tratar a AIDS é fácil e nem a CAMISINHA tinha de ser vista só como um método CONTRACEPTIVO. AIDS não tem cura, tem tratamento complicado e pode matar”, alerta o médico. No País, são 27,3 mortes diárias por AIDS.
Medo de falhar
O desdém com a CAMISINHA também tem como combustível o medo de falhar. A falta de jeito e de hábito em colocar o PRESERVATIVO podem atingir em cheio a potência. “Ninguém quer ter fama de broxa”, contou um jovem de 27 anos, consumidor de drogas e que marca “rapidinhas” sexuais pelo celular.
Mesma aflição foi relatada por um recém-viúvo, de 75 anos, que não tinha relações com penetração plena há 8 anos com a esposa e se viu no papel de adolescente quando uma mulher 20 anos mais jovem, conhecida no bailão do clube, deu a entender que gostaria - e aceitaria - ir para cama com ele.
Este temor tenta ser curado com remédios em prol da potência (para disfunção erétil) ou que prometem ampliar a sensibilidade (entorpecentes sintéticos), influenciando ainda mais no comportamento de risco. O resultado é a ampliação do desuso da CAMISINHA. No Brasil, seis em cada dez homens admitem não utilizar a proteção em todas as relações sexuais, conforme contabilizou o Ministério da Saúde.
Embriagado
Entre os desprotegidos, estão os que sabem ser portadores do vírus HIV e ainda assim mantêm relações sexuais sem CAMISINHA. “Eu contei a uma amiga que tinha o vírus e ela bateu o pé para a gente não transar de PRESERVATIVO, porque era melhor”, conta S.C.
Sobre os “kamikazes” sexuais, o professor de clínica médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Paulo Olzon – e médico especializado em AIDS – diz que este comportamento revela falta de ética e preocupação com o outro, duas posturas típicas do novo tempo. “Precisamos rever como tratar estes casos. São como pessoas embriagadas, que pegam o automóvel e dirigem a 300 km por hora. Será mesmo que elas não sabem que vão fazer vítimas”, deixa Olson a pergunta no ar.
Homens deixam CAMISINHA de lado e crescem nas estatísticas do HIV
Na sala escura da boate gay e nos encontros marcados após o baile da terceira idade, os homens brasileiros de todas as idades e orientações sexuais têm deixado a CAMISINHA de lado e, por isso, crescido nas estatísticas da AIDS.
O novo boletim do Ministério da Saúde, que mapeia os casos de contaminação pelo vírus HIV, revela a vulnerabilidade generalizada, impulsionada pelo uso de drogas – seja o ecstasy ou o Viagra.
A proporção de registros entre homossexuais de 13 a 24 anos bateu recorde. Este grupo, em 2010, somou 35,1% do total de infecções masculinas na faixa etária, a maior taxa desde o início da epidemia, em 1980. Simultaneamente, entre os mais maduros, os heterossexuais são maioria dos infectados e acima dos 30 anos representam 43%.
“Não há orientação sexual de risco e sim comportamento perigoso para a AIDS, muito influenciado pelo abuso de álcool. E os homens, de forma geral, têm negligenciado bastante o PRESERVATIVO. É um panorama alarmante”, afirma um dos principais infectologistas do País, Artur Timerman, que atua nas redes públicas e privadas de saúde. No último ano, entre seus pacientes, há um casal de 14 e 15 anos, ambos soropositivos e uma senhora de 82 que adquiriu o vírus do marido, de 78 anos.
Indiferenças
No início do mês, J.F, 31 anos, morreu e o atestado de óbito teve origem na infecção do vírus HIV, descoberta tarde demais para que os coquetéis de remédios fizessem efeitos e revertessem o quadro.
HOMOSSEXUAL - assumido para os amigos e escondido da família - ele sempre teve medo de fazer o teste para confirmar se as transas desprotegidas tinham mesmo resultado na infecção. Emagreceu, mas só quando as diarreias ficaram constantes procurou o médico.
Jovem bem sucedido na profissão de comunicação, solteiro, nunca foi promíscuo, mas também nunca exigiu proteção em suas relações sexuais eventuais, acertadas em maioria nos encontros no centro paulistano - uma das regiões com alta concentração de casas noturnas para o público gay.
Em uma destas boates, inclusive, que conta com o chamado “dark room” (sala escura em que tudo pode acontecer mas onde só entra quem quer) a falta de temor com as doenças sexualmente transmissíveis (DST) fica exposta no chão. “Eles (a casa) até distribuem CAMISINHA para quem vai entrar. Mas os PRESERVATIVOS ficam fechados e lacrados, jogados no fim da noitada e recolhidos pelo pessoal da faxina”, conta um dos frequentadores.
A indiferença com a possibilidade de contrair AIDS ou qualquer outra DST também marca os encontros dos “cinquentões” heterossexuais. “Minha geração não aprendeu a usar CAMISINHA. Eu, até descobrir ser SOROPOSITIVO, nunca tinha usado uma vez sequer e tinha uma média de 18 parceiras por ano”, conta S.C., 59 anos, que trabalha com comércio exterior, mora na zona oeste paulistana e é um autodefinido “apaixonado pelas mulheres”.
Agora, ele não só aprendeu a usar medicamentos para a disfunção erétil, como após a ereção garantida, cobri-la com PRESERVATIVO. “Podia ter aprendido antes. Mas tenho amigos que mesmo acompanhando de perto o meu caso continuam deixando a CAMISINHA como um enfeite na carteira.”
Pré ou pós 80’s
Os maiores de 50 e os menores de 30 fazem parte de gerações que ou eram pequenos demais para lembrar os tempos mais árduos da AIDS ou já estavam maduros o suficiente para sentirem os impactos diretos que a epidemia provocou nos filhos dos anos 70.
Mas nesta primeira década dos anos 2000, os mais velhos e os mais novos foram colocados no alvo do HIV e, ao mesmo tempo, convivem com a falsa ideia de que para “tratar a doença só é preciso tomar um remedinho”, afirma o infectologista Jean Gorinchteyn do Instituto Emílio Ribas, uma das referências nacionais do tratamento da AIDS.
“O PRESERVATIVO continua encarado como uma necessidade só para evitar gravidez, portanto desnecessário para quem tem relações homossexuais ou está fora da faixa da fertilidade”, completa Gorinchteyn, que coordena um ambulatório só para soropositivos maiores de 50 anos, onde 60% são homens e oito em cada dez casados com mulheres.
“Um erro perigoso, porque nem tratar a AIDS é fácil e nem a CAMISINHA tinha de ser vista só como um método CONTRACEPTIVO. AIDS não tem cura, tem tratamento complicado e pode matar”, alerta o médico. No País, são 27,3 mortes diárias por AIDS.
Medo de falhar
O desdém com a CAMISINHA também tem como combustível o medo de falhar. A falta de jeito e de hábito em colocar o PRESERVATIVO podem atingir em cheio a potência. “Ninguém quer ter fama de broxa”, contou um jovem de 27 anos, consumidor de drogas e que marca “rapidinhas” sexuais pelo celular.
Mesma aflição foi relatada por um recém-viúvo, de 75 anos, que não tinha relações com penetração plena há 8 anos com a esposa e se viu no papel de adolescente quando uma mulher 20 anos mais jovem, conhecida no bailão do clube, deu a entender que gostaria - e aceitaria - ir para cama com ele.
Este temor tenta ser curado com remédios em prol da potência (para disfunção erétil) ou que prometem ampliar a sensibilidade (entorpecentes sintéticos), influenciando ainda mais no comportamento de risco. O resultado é a ampliação do desuso da CAMISINHA. No Brasil, seis em cada dez homens admitem não utilizar a proteção em todas as relações sexuais, conforme contabilizou o Ministério da Saúde.
Embriagado
Entre os desprotegidos, estão os que sabem ser portadores do vírus HIV e ainda assim mantêm relações sexuais sem CAMISINHA. “Eu contei a uma amiga que tinha o vírus e ela bateu o pé para a gente não transar de PRESERVATIVO, porque era melhor”, conta S.C.
Sobre os “kamikazes” sexuais, o professor de clínica médica da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Paulo Olzon – e médico especializado em AIDS – diz que este comportamento revela falta de ética e preocupação com o outro, duas posturas típicas do novo tempo. “Precisamos rever como tratar estes casos. São como pessoas embriagadas, que pegam o automóvel e dirigem a 300 km por hora. Será mesmo que elas não sabem que vão fazer vítimas”, deixa Olson a pergunta no ar.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
02 de outubro, Dia Internacional da Não Violência
A data foi criada pela Organização das Nações Unidas em homenagem a Mahatma Gandhi, nascido neste dia no ano de 1869, na Índia. Mahatma Gandhi foi um dos maiores líderes pacifistas da história, levando multidões a conhecer e a praticar o significado da não-violência, na sua luta pela independência da Índia. Certa vez o líder indiano comentou: “Posso até estar disposto a morrer por uma causa, mais nunca a matar por ela!” Quando, em certos momentos, a violência começou a se manifestar entre os indianos, Gandhi praticou o jejum, por duas vezes, colocando em risco a sua própria vida, com o objetivo de sensibilizar seus seguidores a não fazer uso da violência.
O termo ‘não-violência’ em sânscrito - ‘ahimsa’ - tem o significado profundo de não dano, não prejuízo. Daí surge a idéia central deste conceito que nos inspira a ser pacífico, o que é bastante diferente de ser passivo. É agir de forma coerente e firme, norteados pelos nossos ideais, sem aceitar qualquer forma de violência.
Trabalhar pela Cultura da Não-Violência nas escolas é fundamental para que crianças e adolescentes possam aprender a valorizar princípios como o respeito, a tolerância, o diálogo e a solidariedade. A Cultura da Paz se faz nas pequenas ações do cotidiano: no nosso jeito de nos comunicar com os outros, na nossa forma de lidar com conflitos e sentimentos como frustração e raiva, na nossa capacidade de reconhecer e valorizar as diferenças e de sermos tolerantes.
Afinal, a escola não está isolada da sociedade e todas as questões relacionadas à violência valem para a escola também. A violência na escola não pode ser avaliada por casos isolados de alunos e profissionais com problemas mais sérios de comportamento. Pesquisas sobre violência nas escolas têm mostrado que a grande maioria dos alunos e profissionais não são habitualmente violentos e nem tampouco convivem em um ambiente desestruturado ou violento. No entanto, muitas vezes acabam manifestando algumas atitudes violentas na escola. Pode-se apontar como possíveis causas alguns aspectos relacionados ao fenômeno mais freqüentes, como educadores não capacitados para lidar com o fenômeno, problemas de gestão e de liderança escolar, ação policialesca com os alunos, falta de propostas que estimulem o protagonismo juvenil, etc.
É preciso calma para se buscar a paz e a justiça. Há que se cuidar com o pânico gerado em situações extremas para que medidas tomadas não sejam imediatistas e pautadas no medo e insegurança. Quando acuados, movidos pelo medo, podemos não atentar para aspectos cruciais.
A ONG ‘Não-Violência’ acredita e investe em prevenção e, por isso, escolheu como seu local de atuação as escolas: instituições cujo foco é a educação e que reúnem no mesmo espaço e voltados para os mesmos objetivos, crianças, adolescentes, suas mães/pais e educadores.
A escola é também ambiente onde inúmeras relações humanas se constituem e, como em qualquer ambiente social, essas relações experienciam os mais diversos sentidos. E é um dos ambientes mais propícios para que se dê o aprendizado de valores que norteiam uma sociedade pacífica como o respeito, a ética, a justiça. Mas como se constrói esta sociedade pacífica? Como se dá o aprendizado destes valores?
Buscando-se referências, exemplos, modelos. Esta é uma das principais formas de aprendermos a conviver em sociedade. As crianças e jovens estão sempre se espelhando nos adultos a sua volta. Responsáveis pela educação por meio de ensinamentos e, principalmente, de atitudes é, para nós, pais, mães, educadores, policiais, políticos, autoridades, que devemos direcionar o nosso olhar. Estamos sendo referência a estes jovens de exemplos éticos, primamos pelo diálogo, buscamos a justiça e trabalhamos em prol do bem comum ou valorizamos nossos próprios interesses, priorizando o prazer imediato e bem estar individual? Estamos sendo pacíficos em nosso cotidiano, com aqueles com quem nos relacionamos, ou muitas vezes agimos de forma violenta por meio da omissão, humilhação, discriminação, palavras duras, ou até mesmo a rejeição?
A experiência que tenho tido ao longo de 10 anos com as mais diversas escolas de Curitiba e região metropolitana, acompanhando as pesquisas produzidas no Brasil e no mundo na área da violência escolar, aponta para o caminho de que há muito o que se pode fazer na construção da paz por intermédio das escolas. Entendendo que a não-violência não exclui o conflito das relações humanas; que o conflito, enquanto divergência é norteador de uma cultura heterônoma e faz parte de um ambiente pacífico; que a paz não é ausência de atitude, e sim, exige ações efetivas e contundentes; que crianças, adolescentes, jovens e porque não, também nós os adultos, estamos ávidos por referências pacíficas que nos norteiem num processo educativo que nos indique como viver neste mundo tão desafiador, concluo que é urgente e necessário que cada um de nós se perceba agentes na construção desta Cultura da Paz.
Façamos desta causa e ideal nossa referência para sermos em nossas pequenas ações pessoas mais pacíficas. Lembrando que ser pacífico não é ser passivo, é agir de forma coerente e firme, norteados pelos nossos ideais, sem aceitar qualquer forma de violência.
Adriana Araújo Bini
Coordenadora Técnica
Projeto Não-Violência
O termo ‘não-violência’ em sânscrito - ‘ahimsa’ - tem o significado profundo de não dano, não prejuízo. Daí surge a idéia central deste conceito que nos inspira a ser pacífico, o que é bastante diferente de ser passivo. É agir de forma coerente e firme, norteados pelos nossos ideais, sem aceitar qualquer forma de violência.
Trabalhar pela Cultura da Não-Violência nas escolas é fundamental para que crianças e adolescentes possam aprender a valorizar princípios como o respeito, a tolerância, o diálogo e a solidariedade. A Cultura da Paz se faz nas pequenas ações do cotidiano: no nosso jeito de nos comunicar com os outros, na nossa forma de lidar com conflitos e sentimentos como frustração e raiva, na nossa capacidade de reconhecer e valorizar as diferenças e de sermos tolerantes.
Afinal, a escola não está isolada da sociedade e todas as questões relacionadas à violência valem para a escola também. A violência na escola não pode ser avaliada por casos isolados de alunos e profissionais com problemas mais sérios de comportamento. Pesquisas sobre violência nas escolas têm mostrado que a grande maioria dos alunos e profissionais não são habitualmente violentos e nem tampouco convivem em um ambiente desestruturado ou violento. No entanto, muitas vezes acabam manifestando algumas atitudes violentas na escola. Pode-se apontar como possíveis causas alguns aspectos relacionados ao fenômeno mais freqüentes, como educadores não capacitados para lidar com o fenômeno, problemas de gestão e de liderança escolar, ação policialesca com os alunos, falta de propostas que estimulem o protagonismo juvenil, etc.
É preciso calma para se buscar a paz e a justiça. Há que se cuidar com o pânico gerado em situações extremas para que medidas tomadas não sejam imediatistas e pautadas no medo e insegurança. Quando acuados, movidos pelo medo, podemos não atentar para aspectos cruciais.
A ONG ‘Não-Violência’ acredita e investe em prevenção e, por isso, escolheu como seu local de atuação as escolas: instituições cujo foco é a educação e que reúnem no mesmo espaço e voltados para os mesmos objetivos, crianças, adolescentes, suas mães/pais e educadores.
A escola é também ambiente onde inúmeras relações humanas se constituem e, como em qualquer ambiente social, essas relações experienciam os mais diversos sentidos. E é um dos ambientes mais propícios para que se dê o aprendizado de valores que norteiam uma sociedade pacífica como o respeito, a ética, a justiça. Mas como se constrói esta sociedade pacífica? Como se dá o aprendizado destes valores?
Buscando-se referências, exemplos, modelos. Esta é uma das principais formas de aprendermos a conviver em sociedade. As crianças e jovens estão sempre se espelhando nos adultos a sua volta. Responsáveis pela educação por meio de ensinamentos e, principalmente, de atitudes é, para nós, pais, mães, educadores, policiais, políticos, autoridades, que devemos direcionar o nosso olhar. Estamos sendo referência a estes jovens de exemplos éticos, primamos pelo diálogo, buscamos a justiça e trabalhamos em prol do bem comum ou valorizamos nossos próprios interesses, priorizando o prazer imediato e bem estar individual? Estamos sendo pacíficos em nosso cotidiano, com aqueles com quem nos relacionamos, ou muitas vezes agimos de forma violenta por meio da omissão, humilhação, discriminação, palavras duras, ou até mesmo a rejeição?
A experiência que tenho tido ao longo de 10 anos com as mais diversas escolas de Curitiba e região metropolitana, acompanhando as pesquisas produzidas no Brasil e no mundo na área da violência escolar, aponta para o caminho de que há muito o que se pode fazer na construção da paz por intermédio das escolas. Entendendo que a não-violência não exclui o conflito das relações humanas; que o conflito, enquanto divergência é norteador de uma cultura heterônoma e faz parte de um ambiente pacífico; que a paz não é ausência de atitude, e sim, exige ações efetivas e contundentes; que crianças, adolescentes, jovens e porque não, também nós os adultos, estamos ávidos por referências pacíficas que nos norteiem num processo educativo que nos indique como viver neste mundo tão desafiador, concluo que é urgente e necessário que cada um de nós se perceba agentes na construção desta Cultura da Paz.
Façamos desta causa e ideal nossa referência para sermos em nossas pequenas ações pessoas mais pacíficas. Lembrando que ser pacífico não é ser passivo, é agir de forma coerente e firme, norteados pelos nossos ideais, sem aceitar qualquer forma de violência.
Adriana Araújo Bini
Coordenadora Técnica
Projeto Não-Violência
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